Humanos adoram histórias, é quase impossível para uma pessoa
ver algo acontecer e não querer contar uma história sobre isso. Bem se não
fosse assim creio que não teríamos nem metade da capacidade cognitiva que temos
hoje em dia *para e pensa em certas pessoas*, em média, em média não teríamos nem
a metade da capacidade cognitiva que temos hoje em dia. Duvida?
Você vê uma maçã cair.
Ahhh “olha só a maçã caiu por causa da gravidade”, ou,
antes de sabermos disso, “ela caiu porque a arvore a soltou”. Os seres
humanos, generalizando de uma forma absurda o grau individual, adoram contar
histórias, tudo que ocorre naturalmente deve ser sempre explicado, a história
deve ser a melhor possível: a que faz mais sentido, a que pode ser provada por
outras histórias, ou então até a mais agradável, mês deve existir ao menos uma,
normalmente a mais racional. Se não foi você a criar a história, então se você é
um desses seres pensantes completamente obcecados por histórias, é o seu dever
que ela seja a melhor possível, nem que para isso você mesmo deva modifica-la.
E mesmo se você não se preocupa tanto com a criação dessas histórias, seu
principal objetivo será quase sempre se assegurar de saber a versão mais
aceita, e não soltar por ai que a maçã caiu porque brigou com a árvore.
Se uma ação causou uma reação, então ali no meio cabe uma
história, se você realmente tem necessidade de nomes tem vários para essas
histórias: conhecimento, ciência, senso comum... A gente gosta tanto, mas tanto
de histórias que criamos histórias, muitas vezes infinitamente mais complexas
do que as primeiras, com o simples motivo de nos ocupar. Criamos histórias
inteiras, de muitos personagens em mundos hipotéticos sobre ações e reações que
decidimos por capricho ao longo de percurso. Pode chamar isso de fantasia, eu
deixo. Antigamente esses dois tipos de história não eram nem um pouco fáceis de
identificar, ou separar. Era normal usar somente a criatividade, “chove as vezes
no verão porque a deusa dos cupins ficou triste com o calor, ela chorou tanto,
mas tanto, que um monte dos cupins durante a chuva fizeram pequenos guarda
chuvas, e a noite eles perceberam que conseguiam voar se tivessem dois guarda
chuvas cada um, com medo da deusa chorar de novo um monte deles saiu voando com
seus pequenos guarda chuvas e foram visitar a deusa pra ela não ficar tão triste,
o que ajuda, mas sempre que chega a
mesma época do ano, durante alguns dias do verão você pode ver muitos cupins
voando e procurando a deusa cupim”, hoje em dia isso rende no máximo uma fábula
infantil, mas dependendo no do numero de
pessoas que gostavam da história no passado, isso era automaticamente elevado
ao papel de verdade. Hoje em dia eu deixo você chamar isso de religião. E não é
que essas histórias ainda existem, e são tão creditadas quanto qualquer outra?
Eu
acredito (leia-se história retirada inteiramente da minha cabeça, talvez não
tão inteiramente), que os humanos só são humanos por causa das suas histórias.
Se nos conformássemos com a simples noção de ação e reação “a maçã estava no alto e agora esta no chão, ela caiu e ponto”
seriamos todos como abelhas.
Um comentário:
o dom de fazer sentido sem fazer sentido, seu cabeça é bem bagunçada, sabe que gosto disso?
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