quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Histórias


Humanos adoram histórias, é quase impossível para uma pessoa ver algo acontecer e não querer contar uma história sobre isso. Bem se não fosse assim creio que não teríamos nem metade da capacidade cognitiva que temos hoje em dia *para e pensa em certas pessoas*, em média, em média não teríamos nem a metade da capacidade cognitiva que temos hoje em dia. Duvida?

Você vê uma maçã cair.
Ahhh “olha só a maçã caiu por causa da gravidade”, ou, antes de sabermos disso, “ela caiu porque a arvore a soltou”. Os seres humanos, generalizando de uma forma absurda o grau individual, adoram contar histórias, tudo que ocorre naturalmente deve ser sempre explicado, a história deve ser a melhor possível: a que faz mais sentido, a que pode ser provada por outras histórias, ou então até a mais agradável, mês deve existir ao menos uma, normalmente a mais racional. Se não foi você a criar a história, então se você é um desses seres pensantes completamente obcecados por histórias, é o seu dever que ela seja a melhor possível, nem que para isso você mesmo deva modifica-la. E mesmo se você não se preocupa tanto com a criação dessas histórias, seu principal objetivo será quase sempre se assegurar de saber a versão mais aceita, e não soltar por ai que a maçã caiu porque brigou com a árvore.

Se uma ação causou uma reação, então ali no meio cabe uma história, se você realmente tem necessidade de nomes tem vários para essas histórias: conhecimento, ciência, senso comum... A gente gosta tanto, mas tanto de histórias que criamos histórias, muitas vezes infinitamente mais complexas do que as primeiras, com o simples motivo de nos ocupar. Criamos histórias inteiras, de muitos personagens em mundos hipotéticos sobre ações e reações que decidimos por capricho ao longo de percurso. Pode chamar isso de fantasia, eu deixo. Antigamente esses dois tipos de história não eram nem um pouco fáceis de identificar, ou separar. Era normal usar somente a criatividade, “chove as vezes no verão porque a deusa dos cupins ficou triste com o calor, ela chorou tanto, mas tanto, que um monte dos cupins durante a chuva fizeram pequenos guarda chuvas, e a noite eles perceberam que conseguiam voar se tivessem dois guarda chuvas cada um, com medo da deusa chorar de novo um monte deles saiu voando com seus pequenos guarda chuvas e foram visitar a deusa pra ela não ficar tão triste, o que ajuda, mas sempre que chega  a mesma época do ano, durante alguns dias do verão você pode ver muitos cupins voando e procurando a deusa cupim”, hoje em dia isso rende no máximo uma fábula infantil, mas dependendo no  do numero de pessoas que gostavam da história no passado, isso era automaticamente elevado ao papel de verdade. Hoje em dia eu deixo você chamar isso de religião. E não é que essas histórias ainda existem, e são tão creditadas quanto qualquer outra?

Eu acredito (leia-se história retirada inteiramente da minha cabeça, talvez não tão inteiramente), que os humanos só são humanos por causa das suas histórias. Se nos conformássemos com a simples noção de ação e reação “a maçã estava no alto e agora esta no chão, ela caiu e ponto” seriamos todos como abelhas.

Um comentário:

Anônimo disse...

o dom de fazer sentido sem fazer sentido, seu cabeça é bem bagunçada, sabe que gosto disso?